sexta-feira, 26 de outubro de 2007


"Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido."
(Henry David Thoreau)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

"... só se finge ter algo que realmente não se tem." (arthur schopenhauer)

estive lá.

Na quinta-feira, completo três anos no mesmo estágio. Neste pouco e imenso período, vi e vivi em diferentes situações. Fiz dois grandes amigos - daqueles que a vida nos presenteia. E, pela primeira vez na vida, gostei de trabalhar. Confesso que sou acomodado, por isso ainda não saí daquela secretaria – talvez seja o medo das coisas novas, talvez não.
Mas agora cansei dali, uma vez que a arrogância e prepotência tomaram conta daquele lugar. Cansei. Não tenho mais vontade de está ali, porém tenho que ficar, já que preciso do pouco que me pagam. Um dia sairei, e sairei assim como o João-de-barro sai do seu ninho – cantando e achando estranho aquele novo sol.
(Munch, "despair" - 1892)

perdido num mundo.

Aqui ninguém suplica. Todos vivem incansavelmente. As tolices são o prato principal. As mentiras tornan-se verdades num piscar de olhos e, sempre que aqui chego, esqueço que sou humano e vivo pouco a pouco a mísera vontade de não ser ninguém – a não ser (é claro) eu mesmo.

As vidas são ceifadas para mais vidas serem nascidas. Espíritos saem, na esperança de encontrar um novo céu. Porém, a balança da injustiça só tem um peso, o do mais forte. Aqui, não se vê flores, mas ramalhetes de hipocrisia e ganância. As águas daqui não têm oxigênio. Amor não há porque no dicionário não possui a letra a. o que exite em abundância é o pessimismo e a esperança. Dois frutos do mesmo ventre – a vida. Aqui também não se esculta a voz da Vanessa da matta, nem do amarante, nem do Nando e muito menos as puras melodias de Bach. É horrível morar aqui. Estou sem cigarros, sem bebidas, sem amores. Rancores em abundâncias. Talvez David Gales seja mais feliz que eu. Aqui, o descontetamento é chamado de depressão...




“Prefiro continuar distante” (Nando Reis)