sexta-feira, 30 de novembro de 2007

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO




Quem prega mais peça, a vida ou o amor? Vida e amor estão diretamente ligados? Aquele respira sem este, ou é o contrário?

Estas indagações vieram a minha cabeça logo após rever “Diário de uma Paixão”. Depois de “Antes do Amanhecer”, é o meu filme preferido. Não que não existam outros, mas este mexe muito comigo. Este simples filme passa-me algo de bom. Traz-me uma esperança diferenciada. Não é sempre que os filmes tiram minha atenção, porém esta apaixonante trama desliga-me por completo da realidade. É como se um pouco de mim estivesse naquele filme, apesar de eu nunca ter tido uma história de amor de verdade (leia-se aqui a palavra verdade no sentido mais verdadeiro da palavra).

Todos os homens sonham em ser o Noah. Toda mulher não pensa muito em ser um Allie - amar uma pessoa é mais fácil do que amar duas.

Sim, todo homem sonha em ter a sua amada de volta - aquela que se perdeu ao longo dos anos. Não que ela tenha ido embora, mas o tempo e as influências tomaram-na de tal modo, que ela já não mais parece àquela menina linda que, em outros tempos, olhava-o sempre com um olhar apaixonante.

Noah é feliz. É um homem realizado. Tendo o homem a mulher que ama o que mais o falta? Dinheiro, beleza, fama? Não, não falta nada. Estas coisas são infinitamente insignificantes perto do amor que um homem pode ter por uma mulher.

Neruda, Nando reis, Amarante, Odair José, Nietzsche, Rilke e Goethe foram homens que amaram ou ainda amam mulheres especiais tipo Allie, pois suas obras têm na sua essência o amor, não o falso amor – aquele egoísta, mas o verdadeiro amor – aquele que é revestido por uma vontade de estar sempre perto, ou seja, a sua casa é o seu amor e, consequentemente, a sua amada é o seu lar.

Quando se ama não se escuta uma música só por escutar. Quando se está longe da mulher amada, ainda que a distância seja mínima, é como se o mundo parasse e as cores já mais existissem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

"desajeitado é quem não aprendeu a ajustar-se (ajeitar-se) às práticas da vida porque permaneceu fiel a si mesmo, original."

Artur da Távola

Crônica-Conto.

O dia se faz novamente. Aqui na unifor, tudo não passa de uma eterna asneira. Aquele professor ridículo da cadeira de direito internacional torna-se mais insuportável.

Kant já dizia: “acima de mim, o céu; dentro de mim, a lei moral”. Concordo com ele. A minha lei moral não aceita mais essa vivência insuportável. Desde que voltei, tenho a absoluta certeza de que não sou social – sou um eremita, mas, para muitos, um vagabundo. os alguns que se fodam!

Há cinco dias, procuro algum professor que me guie nos caminhos de Platão, porém não encontro, por que será?

terça-feira, 27 de novembro de 2007


(Herman Graeser, 2007)



a se pa ra ção
é a prisão do homem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

ComuN
CapItaLISMO
SocIal

Saída-Chegada

Hoje, faz vinte dias que voltei pra casa. Onze dias passei fora. Sim, onze dias sentindo aquilo que chamei de sentimento estranho. Sentia algo muito bom e muito ruim. Desde aquela madrugada fria, nunca imaginava que os caminhos de um homem não estão em suas mãos, mas na mão de Deus. Sei que, ultimamente, Deus foi alvo de minhas críticas, porém ele é sábio o suficiente pra calar o meu coração.

Deus é bom. Bondoso. É acima de tudo misericordioso. Prefiro ser amigo de Deus, a ser amigo dos prazeres.

Quando saí de casa, buscava a solidão, queria ficar eternamente só, mas Ele me fez acreditar novamente nas pessoas, sobretudo nos amigos e na minha família. Por mais estranho que parecia tudo aquilo, ele fez minha justiça e cuidou de mim. Levou-me à casa de um verdadeiro amigo e colocou em mim um desejo de ver novamente aqueles que eu tanto amo.

Estou relendo “na natureza selvagem” – John Krakauer - e nesta odisséia literal acabei tento uma absoluta certeza de que Chris pretendia voltar. Talvez o seu desejo por liberdade fosse aguçado pelas más relações em casa, assim como os meus também foram. O certo é que não sei se a experiência de “Alex” me influenciou, mas posso dizer que, por um bom tempo, senti-me bem, mais precisamente nos momentos em que estava sozinho. Não nego que era doloroso ler os e-mails que recebia. Lembro-me de uma vez que chorei numa lan house – não por aqueles e-mails “moralistas” (volta, todos estão preocupados!), mas daqueles amigos e amigas que diziam que me amavam e que sentiam minha ausência. Confesso, estava muito sensibilizado, porém somente os e-mails faziam-me chorar. A solidão confortava-me demasiadamente.

Agora, vinte dias após a minha volta, as coisas estão mais ou menos. Sinto saudade daquele ócio delirante. Sinto saudade da pedra do cruzeiro. Sinto saudades do clima de Guaramiranga. Também sinto saudades do amigo que me acolheu em sua casa.

Sei plenamente que, alguns que se dizem amigo, zombam de mim, sobretudo quando estou ausente, porém eu os desprezo demasiadamente, porque, pra mim, eles não significam absolutamente nada, aliás, significam sim, idiotices e asneiras. É bom voltar, ainda que a volta signifique uma dor enorme, ainda mais quando você não está preparado para as voltas e reencontros.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

LEMBREI


(Herman Graeser -"Fazenda Pau D'Alho")
Ainda lembro,
Mas desta vez não choro
porque virei pedra
mas ainda assim, lembrei daquele dia
Sim, Lembrei do dia da festa de São Pedro -
O dia em que o nosso primeiro beijo aconteceu -
Um dia mágico, sentimental, poético,
Lindo demais pra ser percebido assim
“Sem mais nem menos”
Mas a vida e os momentos, diz o poeta:
"São chamas"
E como boas chamas...
Um dia acabam por apagar-se insolentemente.


Com todo o respeito aos que insistem em permanecer nesta mentira desgarrada e inútil, porque eu já me decidi.

Xô, falso herói!

O VAZIO NUNCA

O VAZIO NUNCA aparentou ser tão franco
E é por isso que sempre fui verdadeiro

Quanto a ela não sei
Mas eu sempre fui verdadeiro

Acredito que ele mentiu
Porque sempre fui inseguro
Mas agora compreendo
Que a minha insegurança originava-se de uma certeza
A certeza de que ela não dava a mínima para o nosso amor

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

no dia da consciência negra...


No dia da consciência negra, viram-se os debates mais desgastados, mas que ainda são polêmicos - Cotas e dívida histórica foram os mais citados pela mídia. o que eles não falam é que o negro, apesar da histórica dívida, não precisa desta aberrante esmola do governo lula, ainda que, na visão jurídica, sejam as cotas uma atitude absolutamente temporária.

O problema é que não se pode qualificar o indivíduo pela sua cor ou sexo, mas pelo seu intelecto, pelo seu caráter e, sobretudo pela sua pessoa, isto é, deve-se querer ser reconhecido pelo seu esforço, e não pela sua cor ou sexo.
É notória a dívida, por isso as cotas seriam uma solução imediata, porque a desigualdade é enorme, contudo, se isso prevalecer, será uma desigualdade mais extrema e falaciosa.

Segundo Aristóteles, igualdade é tratar os iguais igualmente e o desiguais desigualmente, por isso, hoje, ainda vejo com bons olhos as cotas, porém, é como falei antes, caso prevaleça, se converterá em uma ameaça, pois o indivíduo se acomodará na sua origem racial.

Alexis de Tocqueville expõe claramente que o estado deve oferecer condições para o desenvolvimento dos indivíduos, porque assim tais encontrarão a forma mais perfeita da igualdade. Tocqueville explanou a democracia social, que é, pois, o modelo democrático aplicado as condições de cada indivíduo. Nunca deve-se vincular o indivíduo também ao seu sexo, porque assim estaria a lei privilegiando aqueles que escolheram uma determinada opção sexual, e não um indivíduo que, historicamente, foi tratado desigual pela sociedade. É importante salientar que, apesar de todos os esforços, o negro ainda é visto pejorativamente, entretanto, a saída para apagar de vez tal desrespeito para com a pessoa negra é bandeira da Educação e sobretudo uma educação fundamentada no respeito.

Oscar Wilde, Leonardo Da Vinci e Edwin Morgan não clamaram para ser reconhecidos por causa que tinham uma opção sexual diferenciada das dos demais intelectuais da época, mas desejaram ser reconhecidos tão somente pelos gênios que eram, ou melhor, que ainda são, já que suas obras continuam impactando milhões de corações pelo mundo afora.


Van Gogh, "Noon:rest from work" (1889-90)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

NAS CORES

“e as lágrimas não secaram com o sol que fez” Nando Reis

NAS CORES da vida
Pintei seu sorriso
Mas por um momento,
Pensei que tinha perdido-te
Mas como posso perder-te,
Se tenho teu nome em mim?

Eu posso correr.
Correr. Correr e correr.
Posso também brincar, ler, escrever e, numa noite silenciosa,
Chorar por teu nome
E por não saber de tuas estórias,
Findo por vir as minhas e a suas lembranças em prantos.



HOJE

HOJE
Penso
Porque
Amanhã
Não pensarei tanto como hoje

Amanhã
Esquecerei
Porque
Agora
Não ta fácil dizer que não te amo

Algum dia,
Beijarei teus lábios
Segurarei tua mão
Pentearei teus cabelos
E direi simplesmente: te amo.

AMEI-TE

AMEI-TE mais que tudo
Porém,
Tu novamente me deixaste sozinho.
Sofri. Sofro. Sofrerei,
Enquanto você não voltar com aquele seu vestido amarelo.

Amor,
Desejo-te sorte. Com o hoje e o amanhã... Boa sorte!



Já a mim...
Desejo paciência e esperança.
Paciência para esperar-te.
Esperança para crer que, um dia, beijarei novamente seus lábios
E segurarei novamente as suas mãos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Leões e Cordeiros.

Aparentemente, para a maioria que estava na sala de cinema, causou impacto. Tom Cruise, helicópteros, estratégias militares, estudantes na academia. O povo aplaudiu o começo, contudo, o desenrolar da trama, para o povo, não foi tão fascinante. Tudo que o povo gosta, já dizia Oscar Wilde, não presta.

A discrepância entre se pregar a guerra e ir a ela. A coragem de defender o que se pensa, ainda que signifique motivo de zombaria. Fôlego que se tem pela Ação, mesmo quando esta parece ser tão perigo e voraz. Não! A guerra não é um jogo de computador. As estratégias não valem apenas pontos, mas, indiscutivelmente, valem vidas... milhares de vidas.

Quando se tem uma ideologia, basta se ter uma situação bem complicada para saber se você a tem por convicção ou por pura vaidade.

Na América, ou melhor, na América do norte, o dilema foi lançado:

Se eu sou afro-americano, um ser sempre desprezível para a hostil sociedade, por que deveria eu defender uma nação que só me agride? O patriotismo é superior as minhas convicções? Por quê? Por que devo ser corajoso a ponto de entregar a minha vida por uma nação? Por acaso eles ligam pra mim?

Eu sou branco. Nascido na América. Freqüentador da congregação batista tradicional. Aos sábados, vou aos bares. Bebo. Divirto-me. Sei que a única preocupação que tenho é a minha nota na cadeira mais chata da faculdade (geopolítica). Vou me formar. Vou casar. Terei dois filhos e continuarei a freqüentar a congregação batista tradicional, sem esquecer, é claro, de ir aos bares, desta vez com minha mulher e meus filhos. Se tudo sair como planejo, irei ao Brasil no carnaval.

Sou latino. Moro na América ilegalmente, porém, brevemente terei minha cidadania americana concedida, pois casei com uma afro-americana. No momento, Estou sem emprego. Mas, aos sábados, descarrego caminhões para ganhar alguns trocados, todavia, brevemente, irei alistar-me nas forças armadas...

Sou jornalista. Hoje, fui pressionada por um senado estúpido para fazer uma matéria sobre a nova estratégia americana no Afeganistão. Tudo que ele (o senador) falou ia de encontro ao que penso, uma vez que sou democrata. Estou num dilema – escrever ou sair do emprego - a primeira opção é mais viável. Estou cheia de contas pra pagar, por isso, provavelmente, escreverei o artigo para o governo.

Sou um professor. Sim, um professor. Americano. Combatente aguerrido no Vietnã. Nem democrata, nem tão pouco republicano. Sou um ser pensante. Neste poucos dias aqui na terra, vivo perdido, procurando respostas para as minhas perguntas. No verão passado, prometi a mim mesmo que não ia mais lecionar, contudo, as imbecilidades dos jovens fazem com que eu me sinta ainda mais inteligente. Todos os dias, vejo o noticiário. Ao meio-dia, leio o The New York Times, entretanto, não mais me irrita, porque é a mesma coisa sempre. E assim são os meus dias aqui na terra. Um bom café é o comunheiro ideal para as temidas noites frias.



Sala de cinema novamente iluminada... Um grande silêncio...

...

Derrepente, uma garota que estava atrás da minha poltrona diz que detestou o filme. já o seu namorado não faz nenhum juízo. Creio eu que sua intenção ao ir ao cinema não era ver o filme, mas... Deixa para lá.


Ao sair, Lembro-me novamente da frase de Wilde.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

breve...


Na Natureza Selvagem - Into the Wild (EUA/2007)
Estréia: 31 de dezembro.

Por que eu passei a odiar Ernesto Guevara?

Simplesmente porque ele é o retrato da enganação humana. E digo mais,
Não há diferença entre Guevara e os fundamentalistas islâmicos.

Guevara é, para muitos, um herói, contudo, para mim, não passa de um ditador cruel e sanguinário; ele não passa de um fanático louco fantasiado de um jovem idealista e sonhador. Guevara é um “indivíduo” irracionalizado pelo poder, foi capaz até de tirar a vida de outro indivíduo por causa se sua ideologia barata. Se Guevara fosse um extremista islâmico, sem dúvida o seu final era semelhante ao daqueles jovens radicais xiitas.

O pensamento de esquerda é falho por completo, feio demais para ser “engolido” sem uma mera contestação. A esquerda não converte o inimigo, mas elimina-o a sangue frio. “Che” Guevara era especialista na arte de fuzilar prisioneiros, era de práxis não conversava com o inimigo, mas tão somente o eliminava. Guevara era intolerante, cruel e sanguinário, enfim, preenchia os requisitos de um neostalin.

É deprimente morar num país onde a história, a psicologia e filosofia são ministradas por seres tendenciosos - indivíduos maus, que na ânsia de ludibriar acabam não sendo imparciais em suas análises, passando a ministrar apenas um conteúdo que convém aos seus partidos e a suas abrutas convicções.

No mais, esquerda nunca mais...

trilha: "Imitation of Life" - R.E.M.

A vontade de um homem é o seu ideal. o ideal é indescritível quando não se tem vontade. passei muito tempo fingido ser alguém que não era. vivi um mar de hipocrisia. meus atos não são a expressão de uma rebeldia ou de uma irresponsabilidade, mas sim a força moral de um jovem cansado das burocracias, de um indivíduo cansado de ver sonhos perdidos pela arrogância e poder.a imposição é chave para o totalitarismo, e, para aqueles que não perderam a liberdade na sua expressão mais romântica, lutar contra essas afrontas é o seu ideal. prefiro ser conhecido como um idiota que fujiu dos problemas, a ser lembrado como um profissional engravatado e infeliz. sou infeliz sim, mas a minha ida é apenas um passo para a minha metamorfose. esses valores burocráticos não estão mais em mim, pra mim tanto faz vencer ou não. a indiferença preencheu meu coração. a todos que sente o que eu sentia, recomendo que lutem, que andem por aí e que pensem constantemente sobre o seu modo de vida. talvez um dia eu me arrependa de tudo isso... talvez não. estou vivendo um dia como se fosse o último, porque a natureza é a expressão mais perfeita de um indivíduo perdido.Antes pensava em viver uma vida normal, mas a vida, as insatisfações e o pouco que sobrou das coisas divinas foram fulminadas pelo poder da negação. Discrepância é a diferença entre respeitar e ser respeitado, contudo, a vida é uma representação, uma longa aparência. Hoje, não temos mais a vida em si, mas sites que mostram o seu estado - seja ele o de espírito ou o anti-social. Colocamos a nossa felicidade no computador, mostramos ao mundo onde e como estamos. Somos seres inúteis. Ser ouvido pra quê? Por acaso damos alguma coisa em casa? Para a empresa, voz tem quem trabalha e liberdade é somente para quem tem dinheiro para comprá-la. Somos assim, homens e mulheres prontos pra serem exortados. Se antes tinha saudade do meu quanto, hoje apenas tenho coragem para esquecer tudo isso. Se Deus, o juiz soberano das causas esquecidas, olhar pra mim e enquadrar-me em um dos artigos da sua severa lei, nada farei, apenas cumprirei a sentença, uma vez que estou fraco demais para contestar a falsidade que, antes, fora esquecida.

(planeta terra, 02/11/2007