sábado, 29 de dezembro de 2007

“Passei a manhã inteira debruçado sobre um poema. Tirei-lhe uma virgula, que, de tarde, aflito, repus”

Oscar Wilde

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007


(Van Gogh. "Night Café", 1888)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Obsolescência Natalesca

Na noite de natal, eu estava no topo do Everest - mas precisamente com Joh krakauer -, contudo, não estava nem hora nem no local certo para se estar numa noite de natal e, infelizmente, vi o que não queria ver.
No táxi-lunar que me trouxe até aqui, Humberto Gessinger me dava razão, porém seus conselhos despertavam um desejo angustiante de sair de onde estava.

Quando se finge ter uma família, a solidão toma o lugar de uma incansável busca pelo nada, isto é, um niilismo extremado e, pra variar, gratificante.

Naquele instante, que se fazia preenchido apenas pelo tédio, lembrei-me que, há mais ou menos dois anos, escrevia, no mesmo local, o primeiro texto de um antigo blog, porém logo esqueci, pois as atrações de uma perfumada rede (o ser mais hospitaleiro do local) e as canções de um antigo disco do Guilherme Arantes estavam desejando-me um feliz natal. Mais tarde logo após a ceia, veio-me um puro êxtase que dizia que eu realmente não deveria estar ali.

Foda-se o natal...
E o ano-novo também.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

SOBRE O AMOR - Artur da Távola

"O amor é um sentimento destinado à felicidade, tanto quanto ao sofrimento e também à doação. Se você ama (melhor seria dizer: se você é capaz de amar), não espere só grandes recompensas, respostas otimistas. Amar é apesar.
(...)
O amor é também o sentimento misturado com rejeição, raiva, irritação, convivência, desinteresse, tédio, o vazio a dois, o sumiço da paixão e as emoções mais intensas.
(...)
Você não deixa de amar apenas porque já não gosta igual ou não sente a mesma atração. Talvez só agora você comece a ficar madura o suficiente para poder começar a amar."

É UM PIERROT?


(Hilda Weber)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

INTERNACIONAL


Não é o tratado internacional que é declarado inconstitucional, mas o decreto que o homologa: A única COISA que aprendi na cadeira de direito internacional.

TARDE SILENCIOSA

“Perto das mulheres”, já diz o poeta, “ou falamos asneiras ou ficamos calados”. Temos amizades de pessoas conhecidas, temos o amor dos familiares, porém só o amor de uma mulher deixa-nos prestes a hesitar.

O aforismo Nietzschiano, em “Gaia Ciência”, é bem claro: “se o teu coração bate por uma mulher, Rouba-a”. Acha a esta citação forte? Não, nossos corações é que estancaram o inesgotável poço de lirismo que há no coração dos homens. Quem, hoje, sente amor como o Vinícius de Morais? Quem ousa, por amor, compor sonetos como os de Camões? A resposta é: Ninguém! Porque, lentamente, nossa inocência sentimental perdeu-se em meio a este "caos" simbólico e antivida.

O fato é que perdemos o amor por amor, isto é, aquele sentimento incondicional que rege a sinfonia do amar sem ser amado; um sentimento que, na obra de Shakespeare, ilumina os amantes a esquecerem os seus nomes e, definidamente, partirem para um conhecimento pleno da paixão – um conhecimento bem no estilo Neruda, ou seja, “unir-se não com fios, mas com perfumes”.

Amar talvez seja esperar educadamente e não macambuziar-se com o espinhoso desprezo por parte da amada. É, pois, irritar-se com a falta de paciência que temos.

SONETO 01 – Sobre o Amor de Nietzsche e Lóu A. Salomé.

Quem dera descobrir em teus braços
O prazer de viver sem amargura
Pois, uma vez encantado em teu laço,
Coração não há para tanta ternura

Os pássaros que voam cantando
Amor não têem para a sua satisfação
Mesmo no dia do solitário caminhando
Rancor não há para acomodar a maldição

Mas mesmo na triste porta do abismo
O céu não esqueceu a infância
Porque, ainda que forte, o amor não está nutrido

Assim, amantes, o ferido fez-se em prantos
No convés do quanto escuro
E não se ouvem mais simplórios cantos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ventura de hoje

nossos dias se resumirão a meros "pede pra sair".

PESADELO JURÍDICO

Ontem, lembrei-me de uma palestra que fui. Durante boa parte do tempo, a palavra “controle” cansou os meus ouvidos. Seja ela na versão “concentrada” (também conhecida como kelsiana), seja ela na versão Difusa (ou americana).

As palestras idiotas me perseguem, mas tudo bem, porque a culpa é minha... Eu serei condenado ao opróbrio do curso de Direito. Talvez Édipo e Prometeu sejam mais ditosos.

De um lado, professores explicando os fundamentos das suas asnas teorias. Do outro, alunos maravilhados pela inutilidade das cansativas teorias. Uma hora e meia de besteiras e bajulações, assim resumo aquela palestra do Sr. Zeno Viloso. Naquele momento, o joguinho do meu celular fazia-me companhia. O alucinante sarcasmo “Dani-Lopisniano” aliviava o assombroso aspecto que tinha aquele lugar.

Enfim, três horas passei naquele auditório escutando o que não agüento escutar em uma hora, ou melhor, quinze minutos. Mas tudo que é ruim tem sua pitada de bom, porque, no final, o Senhor “Mequedonaldis” serviu-me um Milk-Shake bem gelado.

Então, façamos, pois, um elegante brinde!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007


não se preocupem, não é o guevara.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

SER VAGABUNDO É LEGAL

Ser vagabundo é a melhor coisa do mundo, principalmente quando a vagabundagem é totalmente criativa. Desde que sai do estágio, acordo mais ou menos às nove horas da manhã; em seguida, ponho cold play pra tocar e tomo um bom banho; Depois coloco um tênis e vou à academia de musculação, porque da outra academia eu já tirei férias. Tudo bem que, na musculação, não é um bom lugar para encontrar companhias agradáveis, com exceção do instrutor e de uma bela garota que, de vez em quando, tira onda com o meu nome.
Ao sair da academia, vou à lan house: blogs, Orkut, youtube e e-mail. Jornal “o povo” vem em seguida, mais precisamente a Crônica do Airton Monte e o Sudoku – um joguinho japonês muito bom.

Mas como eu ia dizendo, a vagabundagem é legal, há muito tempo pra dedicar-se à leitura. De Camões a Jon krakauer. Poesias, crônicas e um conto que eu estava preparando para o concurso da Anna ocupam boa parte do meu tempo. Em relação ao conto, resolvi não participar, pois em mim ainda há uma potência que não me deixa participar de concursos, além do mais eu, que escrevo muito ruim.

Tirando os reclames, as asneiras e as indiretas que se escuta, ser vagabundo é legal. O ócio criativo é duas vezes mais aguçado. Talvez, em 2008, eu procure outra coisa pra fazer, porque preciso de fundo pra próxima aventura, desta vez muito mais sistemática e definitiva.





"Nossas malas surradas foram empilhadas novamente no acostamento; temos um longo caminho a frente. Mas não importa, a estrada é vida." Jack Kerouac

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

ILUSÃO

Segundo o ditado
Só se perde algo
Quando se tem algo
E
Como nunca
Tive algo
Não posso dizer
Que perdi algo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

ACONTECEU NO RIO NILO

Domingo passado, aconteceu o níver do “companheiro” Pablo Peter (vulgo PP). A margem principal do histórico tigre ficou lotada. Felipão e banda animaram a festa... E que festa!
O sadam chegou cedo, fez algumas preces ao Lorde Jah, depois ligou pro Hugo Pop Chávez, porque o tal populista latino-americano tinha se encarregado de levar aquela cerveja bem gelada...

Luiz Aguiar fez a cobertura do evento. “Peeense numa balada doida!”, disse o tal repórter, assim que chegou à festa. George Belzebush chegou atrasado, mas isso não evitou o velho barraco com o Chávez. Motivo do barraco? É que o Chávez queria dançar a dança do “strip tease”, já belzebush queria dançar a dança do “gostosão.

Foi uma muvuca. Tigresas-sinfônicas para todos os lado. “Peeense, machu rei”, disse o nobre Deputado-repórter em uma chamada ao vivo para o programa da katiuza – Diário da manhã.
Todos os convidados, ao entraram na festa, ligavam os piscas de seus carros, pois Pablo Peter adorava ver o “pisca-pisca” do convidados ligado. Dizia ele que aquela era a “festa do pisca Peter”.

Tal balada só cessou com a chegada do coronel Gondim. VIXE! Todos gritaram. Logo, o valente coronel deu um prazo de 24 Hs para que aquele “chafurdo” terminasse. “Isso é um insulto ao Lorde Jah”, relutou Gordim!

Ao saber da intervenção do coronel em seu níver, Peter ficou irado e disse: “isso é um absurdo, io soy estudiante del directo de la Unifórtica, como podes tu, Gondim, atrapalhares el mi níver? Estarei comunicando sua atitude a tia yô-yô cabelo de night-power”.

Já o convidado de honra, Sócrates Miná, pediu a palavra e EXclamou: “pela ordem, adorável pisca-Peter. Perdoe-me, Sr, mas isto é EXdrúxulo demias, retirar-me-ei do recinto agora mesmo, não quero mais presenciar está impura sodomia”. Peter ficou envergonhado e acabou encerrando a balada.

Se não fosse a lide entre belzebush e Hugo pop Chávez, tudo teria ocorrido de acordo como PP previra. Ele até que gostou do seu níver, pelo menos foi o que disse no programa do Amaury Jr.
Já o convidado de honra, Sócrates Miná, está num ritual de purificação Extreme Nitro Glicérico, no antigo templo do oráculo de Delfos.

El fiñ

(Van Gogh. "Shoes", 1888)
"quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar" (Neruda)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

SONETO III

Tanto de me estado me acho incerto
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto

É tudo quanto sinto um desconcerto:
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando;
Num’hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um’hora.

Se me perguntas alguém por que assim ando
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, Minha Senhora.

(L. Vaz de Camões, Soneto III)

PROGRAMAÇÃO

Ele acorda
Ainda dormindo
Mas
Lê o jornal
E liga a TV
E acredita em tudo
Nada contesta!
Contudo
Emite pareceres
Para seres inúteis
À noite
Antes de adormecer
Liga a TV e
Novamente
Acredita em tudo sem saber

INUTILIDADES

Como posso eu desfrutar da aurora da juventude,
Se mesmo tudo tendo, não te tenho em meus braços?

De que vale o som das árvores,
Se aos meus olhos não mais foram dados o prazer de ver o vento balançar os teus cabelos?

Do que vale o sabor do vinho,
Se meus lábios não te tocam mais?

Do que vale ter tudo,
E não te ter?

Sim, do que vale a vida e suas burocracias,
Se o que eu conquistar não poderei dar a ti?





“a vida, amor, nossas bocas reunidas” (Florbela Espanca)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

No dia do "fico",

ouviu-se de um certo Calheiros:

- Se for para o bem do governo e felicidade geral dos que querem ser o próximo presidente do senado, diga ao lula que eu saio.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007



(André de Oliveira, 1994)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

cala a boca, Bruno! (com muita vênia)

Ontem, vi o dep. Arthur Bruno, PT do Ceará, dizer que certo partido passa por uma crise de identidade. Dep. Bruno, que outro partido da república passa por uma crise de identidade além do Pt?

Crise de identidade em outro partido? Ora, deputado, por acaso este partido no qual você se refere, outrora, era contra a CPMF e, hoje, luta para que ela continue?

Por acaso este citado partido defende um governador que, antes, era um inimigo mortal, chamado até de “filhote de galego”?

Por acaso este partido pregava a moral e a ética na política e, logo após a subida ao poder, rasgou todo capítulo do seu estatuto que falava de ética e moral?

Por acaso este partido era contra as privatizações e, logo após a subida ao poder, privatizou tudo quanto é de estrada federal?

"Deputado", cuidado, porque a boca, como diz o comediante, é o aparelho excreto do cérebro.

bom dia, "Timão"!

fim de semana tediante, supra tediante. estudei processo penal para uma prova de seleção para estagiário. no fim da tarde, muito sono, mas ainda fiu à igreja. depois, filme. no entanto, nada se compara com a amável alegria de ver o "Curintias" na segunda divisão.

háháháhá! o time do presidente é da segundona!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO




Quem prega mais peça, a vida ou o amor? Vida e amor estão diretamente ligados? Aquele respira sem este, ou é o contrário?

Estas indagações vieram a minha cabeça logo após rever “Diário de uma Paixão”. Depois de “Antes do Amanhecer”, é o meu filme preferido. Não que não existam outros, mas este mexe muito comigo. Este simples filme passa-me algo de bom. Traz-me uma esperança diferenciada. Não é sempre que os filmes tiram minha atenção, porém esta apaixonante trama desliga-me por completo da realidade. É como se um pouco de mim estivesse naquele filme, apesar de eu nunca ter tido uma história de amor de verdade (leia-se aqui a palavra verdade no sentido mais verdadeiro da palavra).

Todos os homens sonham em ser o Noah. Toda mulher não pensa muito em ser um Allie - amar uma pessoa é mais fácil do que amar duas.

Sim, todo homem sonha em ter a sua amada de volta - aquela que se perdeu ao longo dos anos. Não que ela tenha ido embora, mas o tempo e as influências tomaram-na de tal modo, que ela já não mais parece àquela menina linda que, em outros tempos, olhava-o sempre com um olhar apaixonante.

Noah é feliz. É um homem realizado. Tendo o homem a mulher que ama o que mais o falta? Dinheiro, beleza, fama? Não, não falta nada. Estas coisas são infinitamente insignificantes perto do amor que um homem pode ter por uma mulher.

Neruda, Nando reis, Amarante, Odair José, Nietzsche, Rilke e Goethe foram homens que amaram ou ainda amam mulheres especiais tipo Allie, pois suas obras têm na sua essência o amor, não o falso amor – aquele egoísta, mas o verdadeiro amor – aquele que é revestido por uma vontade de estar sempre perto, ou seja, a sua casa é o seu amor e, consequentemente, a sua amada é o seu lar.

Quando se ama não se escuta uma música só por escutar. Quando se está longe da mulher amada, ainda que a distância seja mínima, é como se o mundo parasse e as cores já mais existissem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

"desajeitado é quem não aprendeu a ajustar-se (ajeitar-se) às práticas da vida porque permaneceu fiel a si mesmo, original."

Artur da Távola

Crônica-Conto.

O dia se faz novamente. Aqui na unifor, tudo não passa de uma eterna asneira. Aquele professor ridículo da cadeira de direito internacional torna-se mais insuportável.

Kant já dizia: “acima de mim, o céu; dentro de mim, a lei moral”. Concordo com ele. A minha lei moral não aceita mais essa vivência insuportável. Desde que voltei, tenho a absoluta certeza de que não sou social – sou um eremita, mas, para muitos, um vagabundo. os alguns que se fodam!

Há cinco dias, procuro algum professor que me guie nos caminhos de Platão, porém não encontro, por que será?

terça-feira, 27 de novembro de 2007


(Herman Graeser, 2007)



a se pa ra ção
é a prisão do homem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

ComuN
CapItaLISMO
SocIal

Saída-Chegada

Hoje, faz vinte dias que voltei pra casa. Onze dias passei fora. Sim, onze dias sentindo aquilo que chamei de sentimento estranho. Sentia algo muito bom e muito ruim. Desde aquela madrugada fria, nunca imaginava que os caminhos de um homem não estão em suas mãos, mas na mão de Deus. Sei que, ultimamente, Deus foi alvo de minhas críticas, porém ele é sábio o suficiente pra calar o meu coração.

Deus é bom. Bondoso. É acima de tudo misericordioso. Prefiro ser amigo de Deus, a ser amigo dos prazeres.

Quando saí de casa, buscava a solidão, queria ficar eternamente só, mas Ele me fez acreditar novamente nas pessoas, sobretudo nos amigos e na minha família. Por mais estranho que parecia tudo aquilo, ele fez minha justiça e cuidou de mim. Levou-me à casa de um verdadeiro amigo e colocou em mim um desejo de ver novamente aqueles que eu tanto amo.

Estou relendo “na natureza selvagem” – John Krakauer - e nesta odisséia literal acabei tento uma absoluta certeza de que Chris pretendia voltar. Talvez o seu desejo por liberdade fosse aguçado pelas más relações em casa, assim como os meus também foram. O certo é que não sei se a experiência de “Alex” me influenciou, mas posso dizer que, por um bom tempo, senti-me bem, mais precisamente nos momentos em que estava sozinho. Não nego que era doloroso ler os e-mails que recebia. Lembro-me de uma vez que chorei numa lan house – não por aqueles e-mails “moralistas” (volta, todos estão preocupados!), mas daqueles amigos e amigas que diziam que me amavam e que sentiam minha ausência. Confesso, estava muito sensibilizado, porém somente os e-mails faziam-me chorar. A solidão confortava-me demasiadamente.

Agora, vinte dias após a minha volta, as coisas estão mais ou menos. Sinto saudade daquele ócio delirante. Sinto saudade da pedra do cruzeiro. Sinto saudades do clima de Guaramiranga. Também sinto saudades do amigo que me acolheu em sua casa.

Sei plenamente que, alguns que se dizem amigo, zombam de mim, sobretudo quando estou ausente, porém eu os desprezo demasiadamente, porque, pra mim, eles não significam absolutamente nada, aliás, significam sim, idiotices e asneiras. É bom voltar, ainda que a volta signifique uma dor enorme, ainda mais quando você não está preparado para as voltas e reencontros.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

LEMBREI


(Herman Graeser -"Fazenda Pau D'Alho")
Ainda lembro,
Mas desta vez não choro
porque virei pedra
mas ainda assim, lembrei daquele dia
Sim, Lembrei do dia da festa de São Pedro -
O dia em que o nosso primeiro beijo aconteceu -
Um dia mágico, sentimental, poético,
Lindo demais pra ser percebido assim
“Sem mais nem menos”
Mas a vida e os momentos, diz o poeta:
"São chamas"
E como boas chamas...
Um dia acabam por apagar-se insolentemente.


Com todo o respeito aos que insistem em permanecer nesta mentira desgarrada e inútil, porque eu já me decidi.

Xô, falso herói!

O VAZIO NUNCA

O VAZIO NUNCA aparentou ser tão franco
E é por isso que sempre fui verdadeiro

Quanto a ela não sei
Mas eu sempre fui verdadeiro

Acredito que ele mentiu
Porque sempre fui inseguro
Mas agora compreendo
Que a minha insegurança originava-se de uma certeza
A certeza de que ela não dava a mínima para o nosso amor

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

no dia da consciência negra...


No dia da consciência negra, viram-se os debates mais desgastados, mas que ainda são polêmicos - Cotas e dívida histórica foram os mais citados pela mídia. o que eles não falam é que o negro, apesar da histórica dívida, não precisa desta aberrante esmola do governo lula, ainda que, na visão jurídica, sejam as cotas uma atitude absolutamente temporária.

O problema é que não se pode qualificar o indivíduo pela sua cor ou sexo, mas pelo seu intelecto, pelo seu caráter e, sobretudo pela sua pessoa, isto é, deve-se querer ser reconhecido pelo seu esforço, e não pela sua cor ou sexo.
É notória a dívida, por isso as cotas seriam uma solução imediata, porque a desigualdade é enorme, contudo, se isso prevalecer, será uma desigualdade mais extrema e falaciosa.

Segundo Aristóteles, igualdade é tratar os iguais igualmente e o desiguais desigualmente, por isso, hoje, ainda vejo com bons olhos as cotas, porém, é como falei antes, caso prevaleça, se converterá em uma ameaça, pois o indivíduo se acomodará na sua origem racial.

Alexis de Tocqueville expõe claramente que o estado deve oferecer condições para o desenvolvimento dos indivíduos, porque assim tais encontrarão a forma mais perfeita da igualdade. Tocqueville explanou a democracia social, que é, pois, o modelo democrático aplicado as condições de cada indivíduo. Nunca deve-se vincular o indivíduo também ao seu sexo, porque assim estaria a lei privilegiando aqueles que escolheram uma determinada opção sexual, e não um indivíduo que, historicamente, foi tratado desigual pela sociedade. É importante salientar que, apesar de todos os esforços, o negro ainda é visto pejorativamente, entretanto, a saída para apagar de vez tal desrespeito para com a pessoa negra é bandeira da Educação e sobretudo uma educação fundamentada no respeito.

Oscar Wilde, Leonardo Da Vinci e Edwin Morgan não clamaram para ser reconhecidos por causa que tinham uma opção sexual diferenciada das dos demais intelectuais da época, mas desejaram ser reconhecidos tão somente pelos gênios que eram, ou melhor, que ainda são, já que suas obras continuam impactando milhões de corações pelo mundo afora.


Van Gogh, "Noon:rest from work" (1889-90)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

NAS CORES

“e as lágrimas não secaram com o sol que fez” Nando Reis

NAS CORES da vida
Pintei seu sorriso
Mas por um momento,
Pensei que tinha perdido-te
Mas como posso perder-te,
Se tenho teu nome em mim?

Eu posso correr.
Correr. Correr e correr.
Posso também brincar, ler, escrever e, numa noite silenciosa,
Chorar por teu nome
E por não saber de tuas estórias,
Findo por vir as minhas e a suas lembranças em prantos.



HOJE

HOJE
Penso
Porque
Amanhã
Não pensarei tanto como hoje

Amanhã
Esquecerei
Porque
Agora
Não ta fácil dizer que não te amo

Algum dia,
Beijarei teus lábios
Segurarei tua mão
Pentearei teus cabelos
E direi simplesmente: te amo.

AMEI-TE

AMEI-TE mais que tudo
Porém,
Tu novamente me deixaste sozinho.
Sofri. Sofro. Sofrerei,
Enquanto você não voltar com aquele seu vestido amarelo.

Amor,
Desejo-te sorte. Com o hoje e o amanhã... Boa sorte!



Já a mim...
Desejo paciência e esperança.
Paciência para esperar-te.
Esperança para crer que, um dia, beijarei novamente seus lábios
E segurarei novamente as suas mãos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Leões e Cordeiros.

Aparentemente, para a maioria que estava na sala de cinema, causou impacto. Tom Cruise, helicópteros, estratégias militares, estudantes na academia. O povo aplaudiu o começo, contudo, o desenrolar da trama, para o povo, não foi tão fascinante. Tudo que o povo gosta, já dizia Oscar Wilde, não presta.

A discrepância entre se pregar a guerra e ir a ela. A coragem de defender o que se pensa, ainda que signifique motivo de zombaria. Fôlego que se tem pela Ação, mesmo quando esta parece ser tão perigo e voraz. Não! A guerra não é um jogo de computador. As estratégias não valem apenas pontos, mas, indiscutivelmente, valem vidas... milhares de vidas.

Quando se tem uma ideologia, basta se ter uma situação bem complicada para saber se você a tem por convicção ou por pura vaidade.

Na América, ou melhor, na América do norte, o dilema foi lançado:

Se eu sou afro-americano, um ser sempre desprezível para a hostil sociedade, por que deveria eu defender uma nação que só me agride? O patriotismo é superior as minhas convicções? Por quê? Por que devo ser corajoso a ponto de entregar a minha vida por uma nação? Por acaso eles ligam pra mim?

Eu sou branco. Nascido na América. Freqüentador da congregação batista tradicional. Aos sábados, vou aos bares. Bebo. Divirto-me. Sei que a única preocupação que tenho é a minha nota na cadeira mais chata da faculdade (geopolítica). Vou me formar. Vou casar. Terei dois filhos e continuarei a freqüentar a congregação batista tradicional, sem esquecer, é claro, de ir aos bares, desta vez com minha mulher e meus filhos. Se tudo sair como planejo, irei ao Brasil no carnaval.

Sou latino. Moro na América ilegalmente, porém, brevemente terei minha cidadania americana concedida, pois casei com uma afro-americana. No momento, Estou sem emprego. Mas, aos sábados, descarrego caminhões para ganhar alguns trocados, todavia, brevemente, irei alistar-me nas forças armadas...

Sou jornalista. Hoje, fui pressionada por um senado estúpido para fazer uma matéria sobre a nova estratégia americana no Afeganistão. Tudo que ele (o senador) falou ia de encontro ao que penso, uma vez que sou democrata. Estou num dilema – escrever ou sair do emprego - a primeira opção é mais viável. Estou cheia de contas pra pagar, por isso, provavelmente, escreverei o artigo para o governo.

Sou um professor. Sim, um professor. Americano. Combatente aguerrido no Vietnã. Nem democrata, nem tão pouco republicano. Sou um ser pensante. Neste poucos dias aqui na terra, vivo perdido, procurando respostas para as minhas perguntas. No verão passado, prometi a mim mesmo que não ia mais lecionar, contudo, as imbecilidades dos jovens fazem com que eu me sinta ainda mais inteligente. Todos os dias, vejo o noticiário. Ao meio-dia, leio o The New York Times, entretanto, não mais me irrita, porque é a mesma coisa sempre. E assim são os meus dias aqui na terra. Um bom café é o comunheiro ideal para as temidas noites frias.



Sala de cinema novamente iluminada... Um grande silêncio...

...

Derrepente, uma garota que estava atrás da minha poltrona diz que detestou o filme. já o seu namorado não faz nenhum juízo. Creio eu que sua intenção ao ir ao cinema não era ver o filme, mas... Deixa para lá.


Ao sair, Lembro-me novamente da frase de Wilde.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

breve...


Na Natureza Selvagem - Into the Wild (EUA/2007)
Estréia: 31 de dezembro.

Por que eu passei a odiar Ernesto Guevara?

Simplesmente porque ele é o retrato da enganação humana. E digo mais,
Não há diferença entre Guevara e os fundamentalistas islâmicos.

Guevara é, para muitos, um herói, contudo, para mim, não passa de um ditador cruel e sanguinário; ele não passa de um fanático louco fantasiado de um jovem idealista e sonhador. Guevara é um “indivíduo” irracionalizado pelo poder, foi capaz até de tirar a vida de outro indivíduo por causa se sua ideologia barata. Se Guevara fosse um extremista islâmico, sem dúvida o seu final era semelhante ao daqueles jovens radicais xiitas.

O pensamento de esquerda é falho por completo, feio demais para ser “engolido” sem uma mera contestação. A esquerda não converte o inimigo, mas elimina-o a sangue frio. “Che” Guevara era especialista na arte de fuzilar prisioneiros, era de práxis não conversava com o inimigo, mas tão somente o eliminava. Guevara era intolerante, cruel e sanguinário, enfim, preenchia os requisitos de um neostalin.

É deprimente morar num país onde a história, a psicologia e filosofia são ministradas por seres tendenciosos - indivíduos maus, que na ânsia de ludibriar acabam não sendo imparciais em suas análises, passando a ministrar apenas um conteúdo que convém aos seus partidos e a suas abrutas convicções.

No mais, esquerda nunca mais...

trilha: "Imitation of Life" - R.E.M.

A vontade de um homem é o seu ideal. o ideal é indescritível quando não se tem vontade. passei muito tempo fingido ser alguém que não era. vivi um mar de hipocrisia. meus atos não são a expressão de uma rebeldia ou de uma irresponsabilidade, mas sim a força moral de um jovem cansado das burocracias, de um indivíduo cansado de ver sonhos perdidos pela arrogância e poder.a imposição é chave para o totalitarismo, e, para aqueles que não perderam a liberdade na sua expressão mais romântica, lutar contra essas afrontas é o seu ideal. prefiro ser conhecido como um idiota que fujiu dos problemas, a ser lembrado como um profissional engravatado e infeliz. sou infeliz sim, mas a minha ida é apenas um passo para a minha metamorfose. esses valores burocráticos não estão mais em mim, pra mim tanto faz vencer ou não. a indiferença preencheu meu coração. a todos que sente o que eu sentia, recomendo que lutem, que andem por aí e que pensem constantemente sobre o seu modo de vida. talvez um dia eu me arrependa de tudo isso... talvez não. estou vivendo um dia como se fosse o último, porque a natureza é a expressão mais perfeita de um indivíduo perdido.Antes pensava em viver uma vida normal, mas a vida, as insatisfações e o pouco que sobrou das coisas divinas foram fulminadas pelo poder da negação. Discrepância é a diferença entre respeitar e ser respeitado, contudo, a vida é uma representação, uma longa aparência. Hoje, não temos mais a vida em si, mas sites que mostram o seu estado - seja ele o de espírito ou o anti-social. Colocamos a nossa felicidade no computador, mostramos ao mundo onde e como estamos. Somos seres inúteis. Ser ouvido pra quê? Por acaso damos alguma coisa em casa? Para a empresa, voz tem quem trabalha e liberdade é somente para quem tem dinheiro para comprá-la. Somos assim, homens e mulheres prontos pra serem exortados. Se antes tinha saudade do meu quanto, hoje apenas tenho coragem para esquecer tudo isso. Se Deus, o juiz soberano das causas esquecidas, olhar pra mim e enquadrar-me em um dos artigos da sua severa lei, nada farei, apenas cumprirei a sentença, uma vez que estou fraco demais para contestar a falsidade que, antes, fora esquecida.

(planeta terra, 02/11/2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007


"Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido."
(Henry David Thoreau)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

"... só se finge ter algo que realmente não se tem." (arthur schopenhauer)

estive lá.

Na quinta-feira, completo três anos no mesmo estágio. Neste pouco e imenso período, vi e vivi em diferentes situações. Fiz dois grandes amigos - daqueles que a vida nos presenteia. E, pela primeira vez na vida, gostei de trabalhar. Confesso que sou acomodado, por isso ainda não saí daquela secretaria – talvez seja o medo das coisas novas, talvez não.
Mas agora cansei dali, uma vez que a arrogância e prepotência tomaram conta daquele lugar. Cansei. Não tenho mais vontade de está ali, porém tenho que ficar, já que preciso do pouco que me pagam. Um dia sairei, e sairei assim como o João-de-barro sai do seu ninho – cantando e achando estranho aquele novo sol.
(Munch, "despair" - 1892)

perdido num mundo.

Aqui ninguém suplica. Todos vivem incansavelmente. As tolices são o prato principal. As mentiras tornan-se verdades num piscar de olhos e, sempre que aqui chego, esqueço que sou humano e vivo pouco a pouco a mísera vontade de não ser ninguém – a não ser (é claro) eu mesmo.

As vidas são ceifadas para mais vidas serem nascidas. Espíritos saem, na esperança de encontrar um novo céu. Porém, a balança da injustiça só tem um peso, o do mais forte. Aqui, não se vê flores, mas ramalhetes de hipocrisia e ganância. As águas daqui não têm oxigênio. Amor não há porque no dicionário não possui a letra a. o que exite em abundância é o pessimismo e a esperança. Dois frutos do mesmo ventre – a vida. Aqui também não se esculta a voz da Vanessa da matta, nem do amarante, nem do Nando e muito menos as puras melodias de Bach. É horrível morar aqui. Estou sem cigarros, sem bebidas, sem amores. Rancores em abundâncias. Talvez David Gales seja mais feliz que eu. Aqui, o descontetamento é chamado de depressão...




“Prefiro continuar distante” (Nando Reis)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

ainda no clima da música

"o amor em forma de canção.
só podia ser de um louco.
sim, ele é mesmo louco,
os normais não escrevem assim":

disse um louco sobre o nando.

"Luz Dos Olhos" - Nando Reis

Ponho os meus olhos em você, se você esta
Dona dos meus olhos é você, avião no ar
dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar
Liga o radio a pilha, a TV, só pra você escutar
A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora

Os meus olhos vidram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder, melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever, a sua boca em minha

Que a nossa musica eu fiz agora, lá fora a lua irradia
a gloria
E eu te chamo, eu te peço vem
Diga que você me quer, porque eu te quero também

Passo as tardes pensando
Faço as pazes tentando lhe telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem posando sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando, eu te espero vem
Siga onde vão meus pés, que eu te sigo também
Por que eu te amo e eu berro vem
Grita que você me quer porque eu te quero também.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

POR SEU CORAÇÃO



Por seu coração eu sempre insisti

Mas, ás vezes,

Também chorei,


morri na ilusão do seu céu

e na utopia de um dia ser amado por você


Que perca eu a sua amizade,

Já que não conquistei seu coração

Que esqueça então eu da sua lealdade,

Já que tudo que te falei foi em vão.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Luz nos olhos que nos fazem acreditar na luz que não há. As paredes de um quarto escuro estão em lágrimas, e as paredes do coração estão sangrando, mas tudo bem, porque não é a gente que inventa essa dor.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

“... as paixões são as velas do barquinho. E alguém com vinte anos abandona-se inteiramente a seus sentimentos, apanha vento demais nas velas e seu barco faz água – e naufraga – a não ser que ele se recupere” (Vincent Van Gogh, 1881)

E agora, no que pensar? Talvez seja a hora de pensar em si mesmo, de se chegar ao que se é. Mas, por enquanto, não sei por onde começar. É verdade, eu não sei mesmo. Apenas sei que sou pessimista, sou chato. Pra muitos, individualista. Ainda bem que sou individualista... Ainda bem. Seria difícil não aceitar isso. Sou individualista...

Seria bom sumir por uns tempos, mas pra onde? Talvez para o mundo da arte. Isso mesmo! Vou fugir pra outros mundos.

Amanhã, será um dia difícil, porque vou procurar outro estágio. Na verdade, pode ser que seja fácil. Quem dirá é a percepção.

Sábado: três taças, três garrafas de monte reale e três amigos unidos pelo prazer de se estar um ao lado do outro. Pena que a praça fechou cedo demais...

.:.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

incertezas, planos e o absurdo.



Ultimamente, não tenho dado muita atenção ao blog. Estou ausente, mas não se preocupem, porque eu também estou ausente de mim mesmo.




Anna, perdoe-me por não lhe mandar o e-mail prometido. Não sei como explicar a minha ausência.




Acabei de ler um texto do rui. o cara é simplesmente um “mostro”. Coloca as palavras nos seus lugares. Não critica da maneira que os mortais criticam. Critica com arte.




Meus heróis são fictícios e reais: lester burnham, jim morrison, meursault, camus, chris mccandless, van Gogh, neruda, Nietzsche, lima barreto, werther, Batman, pica-pau, coragem – o cão covarde, thoreau, raul, nando, r. ceni, patolino, etc...


minhas poucas dívidas são amorosas. Deixam-me com constantes dores de cabeças. Minhas idéias são um reflexo do que eu vivo. Assim, considero-me um existencialista... “ou não”...




este é o mundo da incerteza. Um mundo que agora torna-se mais certo, mais plausível. talvez seja normal não saber o que fazer da vida aos 23 anos de idade. Estou começando acreditar que a busca pelo prazer começa quando a vida não é levada tão a sério.




Ontem, os telejornais comemoraram as decisões do stf. Todo mundo adulou a alta corte. Meu niilismo, que por sinal está mais aguçado, não vê muita graça nos comentários da tv. É só um julgamento, só isso e nada mais! O que é um julgamento comparando ao “último romance”? NADA! esta é a única resposta. Valorizamos demais as besteiras da tv e esquecemos da imensidão de coisas que podemos admirar. Não sei como encontrar uma saída pra isso tudo. Aliás, eu acho que não tem saída. O fim é trágico, no mínimo.




Só há uma resposta: “tanto faz”!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

o futuro não fala.

“Conhecerás o futuro quando ele chegar; antes disso, esquece-o.”

ÉSQUILO

Hoje, não se pode contestar o contestável. Amanhã, talvez. A paixão pela vida move o mundo. A ilusão, a decepção e a solidão ferem a alma de um ser que ainda chora. Os sentimentos revirados viram a noite conversado e articulando uma maneira de voltar. As aulas recheadas de tolices ferem a mente. O sarcasmo purifica a alma e a vida anseia pela morte.

A criança brinca sem se preocupar com os outros. Os outros olham para os outros. A preocupação é revestida de vergonha. As pessoas e medo dão as mãos num abismo paranóico. “Queda!”, grita o profeta e sua montanha.

A crítica bem fundamentada do professor a cerca da narração do idiota do “Galvão” Bueno. Bread tocando no rádio pra esquecer a noite passada. Uma olhada para o futuro mais próximo. Tudo gira conforme as prescrições da roda viva e gigante roda viva. Frases curtas para não prolongar o tédio. E, se eu resolver falar um pouco de mim nos próximos dias pra você, esqueça e não ligue, pois só são lamentações ‘jeremíticas’. Sabe, a melhor coisa é não se esquecer de imaginar um final feliz pra nossa história.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

"Hoje, minha mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem..." a. camus

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

palavras...





Procuro palavras que me façam ter um gosto maior pela vida. Não palavras de auto-ajuda, mas palavras que me ensinem algo que ainda eu não sei. Atualmente, alberto camus e dostoiéviski estão nas minhas mão, eles estão ocupando o lugar que, há um mês, era do saudoso nietzsche. Enfim, eu procuro não mais viver no absurdo. Meus dias passam sem nenhum objetivo. A crise existencial ainda vive em mim. Os ideais abandonados me fazem busca mais ainda o prazer da lubibriação alcólica.
Procuro palavras que além de sentido me dêem também coragem pra enfretar "o inferno do eterno furor de viver". Procuro desejos, procuro uma ameliei poulain, porque já fui maltratado demais.
Tudo está tão sem sentido que, ao mesmo tempo que o absurdo me consome, uma felicidade também vive em mim, não sei por qual motivo, mas gosto dela. Sou absurdo e contraditório, talvez seja por isso o motivo da felicidade.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

viver amelie... alguém entende?

viver Amelie Poulan é realmente uma boa. a gente se esquece que o mundo é sério demais. a gente brinca no jogo da guerra da vida. a gente joga pedras no rio como se estivesse na fila do banco. a gente lembra que pensar nas coisas absurdas é o que há de mais importante. a gente imagina, pensa e não chega a nenhuma conclusão. viver amelie, alguém entede? viver amelie é viver como a gente não vive. viver amelie é morar na lua mesmo sabendo que daqui a pouco as aulas irão começar, é sentir com o cérebro e pensar com o coração (clichê). é escultar os hermanos e chico sem se importar como o "cara-estranho" que liga o som do seu carro no último volume. ser amelie é viver no solo de metais do último romance amaratemente caótico... sei lá! alguém entende?!

terça-feira, 24 de julho de 2007

azar do dia

o inverno de incertezas não toca aqueles que são autólatras...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

na janela do ônibus

Enquanto olha os gira-sois do fórum, pensei em dois barcos sem direção que saem à noite. Ontem, sai sem direção à procura do silêncio, mas acabei encontrando uma sala de cinema. Uma sala cujo filme era a continuação de um outro filme – quarteto fantástico e o surfista prateado. Um bom filme, pra não ser tão cruel. Muitos efeitos, pouco de conteúdo. Um filme básico, desses que só podemos assistir nos cinemas.

***

Mas o filme não foi a filosofia da noite, pois os filmes só são filmes, e a vida é cada vez mais real. “Viver para negar a vida”, já me disseram que esta é a base do niilismo. Tudo bem, talvez seja mesmo, mas o niilismo não significa nada quando o “último romance” começa a tocar. A música mais perfeita. A suavidade da guitarra acompanhada dos metais, isso é mesmo Amarantemente caótico. O amor, a idade, o tempo, a velhice... a vida, a morte e a promessa de ir junto quando o tempo levar a amada, não há nada mais delirante do que isso.

***

O homem absurdo às vezes pensa que sua vida não tem mais nada, contudo, a vida o surpreende, e ele fica feliz. As surpresas da vida são desconfiáveis aos olhos do homem absurdo, porque tudo passa tão depressa que ele tem medo. Os olhos do homem absurdo se perdem meio a imensidão das pétalas dos gira-sois, ai ele segue em frente. destino: ponto do ônibus.


***

terça-feira, 10 de julho de 2007

marie





"À noite, Marie veio buscar-me e perguntou se eu queria casar com ela. Disse que tanto fazia, mas que, se ela queria, poderíamos nos casar. Quis, então, saber se eu a amava. Respondi, como aliás já respondera uma vez, que isso nada queria dizer, mas que não a amava.


Nesse caso, por que casar-se comigo? — perguntou ela.


Expliquei que isso não tinha importância alguma e que, se ela o desejava, nos poderíamos casar. Era ela, aliás, quem o perguntava, e eu me contentava em dizer que sim. Observou, então, que o casamento era uma coisa séria.


Não — respondi.


Ela se calou durante alguns instantes, olhando-me em silêncio. Depois, falou. Queria simplesmente saber se, partindo de outra mulher, com a qual tivesse o mesmo relacionamento, eu teria aceitado a mesma proposta.


Naturalmente — respondi.


Perguntou então a si própria se me amava, mas eu, eu nada podia saber sobre isso. Depois de outro instante de silêncio, murmurou que eu era uma pessoa estranha, que me amava certamente por isso mesmo, mas que talvez, um dia, pelos mesmos motivos eu a decepcionaria. Como ficasse calado, nada tendo a acrescentar, tomou-me do braço sorrindo, e declarou que queria casar comigo. Respondi que sim, desde que ela quisesse".


(trecho de "o estrangeiro" - Albert camus)

"E um coração vazio
É um copo que enche
De inverno o inferno do eterno furor
De viver".


(Lobão)

A estrada e a vida: uma corrente de vento sem direção.



Ontem à noite, não sonhei com castelos, e também não sonhei com princesas. Não tinha nada deste mundo seguro. O sonho não era sonho, era caos, era um deserto idealizado Morrison. A poesia existia no sonho, porque a poesia existe em todos os lugares, ainda que os lugares estejam nos sonhos também. Tenho quase certeza de que a poesia é atemporal.
Quem no mundo dos loucos é são? Sumir? Mas pra onde ir? Não sei e nem talvez, pois o talvez tornou-se um clichê. E daí? Que se danem os clichês!
Novamente não sonhei com castelos, tão pouco com princesas. No mundo da existência não existe tais fantasias, não há simbolismo romântico. Ontem à noite, antes do sonho, bebi, desrespeitei as ordens, fui novamente ao limite da minha enxaqueca, fantasiei minha perigosa sina. Naquele dia, vi novamente as esquinas que eu passei e fui além do bem e do mal. Não conversei mais sobre nada interessante, falei asneira durante a noite toda. Não tive tempo, mas escrevi uma poesia aparentemente tosca...

Tempo sem estrela
Noite na correria
Luar sem relva, sem nada...
Só luar

Sol sem água
Sol e dadaísmo...
Verão gelado
Overdose de lógica
Aforismos que esperam o trem

Guerra sem arte
E
Sem desertores abandonados
É a sutil efemeridade do passageiro
Do transitório
Uma discrepância no paraíso cultural
O último vento no deserto.

No final, tudo transborda, assim como o rio e o cálice de vinho. Tudo é passageiro, “passageiro de algum trem”. E as coisas não têm lógica, a visão não é a mesma. Nem a sombra, nem o sorriso. Agora a lágrima escorre sem pedi perdão. Não temos mais problemas familiares porque os problemas familiares já são problemas na sua ordem mais aleatória, e não significam nada quando são comparados com a mais simples melodia. Do que adianta prometer a si mesmo? De nada adiante... Agora estou amarantemente caótico... Porque agora tanto faz...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

os sonhos
também já fazem parte da mesma mesmice de sempre.
condenado ao karma,
até que o nirvana o liberte.

vida?
talvez...

terça-feira, 26 de junho de 2007

as férias também são partes da mesma mesmice de sempre.

sábado, 23 de junho de 2007

(con)texto ou sem?

“Vocês são soldados de plásticos numa guerra em miniatura”. É Jim Morrison, você também tem razão, a guerra é pequena e os soldados são realmente de plástico; soldados que não se recusam a servir numa guerra injusta.

Mais uma vez o dia terminou numa folha de papel. Nada de aventuras, só muito humano, demasiado humano. Tenho um amigo que estar com depressão. Todavia, estou vendo que eu não estou muito do longe do que ele agora sente. “Sentimental”, “os pássaros” e “o velho e moço” são as minhas “companheiras”. A cerveja com o Robson, o papo com o Daniel e a mistura da música do Wagner com a poesia do Dídimo me afastaram um pouco da melancolia. Hoje, tudo terminou num simples até logo. Agora entendo por que estou mais confuso, acabei sozinho em plena multidão.

A semana foi tomada por uma dor de cabeça infernal. Um tubo de dipirona sódica se foi. Nem pra bike eu tava com saco. Estou doente? Acho que não... Sei lá... Pode ser! Passei a semana fugindo do meu mundo. Filmes e livros me ajudaram. Tudo continua paulatinamente na mesmice de sempre. Um dia, talvez Deus me conceda a coragem do Chris. Adeus e até logo!

Vou andando romântico e macambúzio

Cheio de idéias velhas

E sobrenomes antiguíssimos

É esta uma das formas de dizer adeus.

h. dídimo.

terça-feira, 19 de junho de 2007


Bom dia, amigos habitantes da república mais banana da América latina, sejam bem-vindos ao circo da piada pronta e a palhaçada dos ministérios. Um bom dia a todos que habitam o país exportador de corrupção... Um bom dia aos trabalhadores também. Sim, um bom dia para os que não têm tempo e nem condição de RELAXAR E GOZAR. Dona Marta, vai tomar no cu. Ah! Supla, seu punk de fabricado, seu emo encubado, vá também tomar no cu. É essa a única resposta, vão todos tomar no cu.

Se o Brasil é o país do futuro, eu quero viver eternamente no passado. É isso mesmo, viver no passado, num passado bem passado mesmo. Um passado que não tenha tanta cachorrada. Não sejamos, pois, tão tolos, porque a nossa tolice alimenta os partidos políticos. Não sejamos mais retóricos, porque a retórica alimenta a inércia. Sejamos agressivos. Sejamos mais honestos. Uma honestidade agressiva, daquelas que nos leve a gritar a canção da liberdade: “VÁ TOMAR NO CU”. Uma honestidade que não abra mão do protesto, uma honestidade que declare guerra à imoralidade política desse país. Por que o movimento estudantil não protesta mais? Não venha me disser que a invasão de reitorias é movimento estudantil, não seja tão inocente. Será que você não percebeu que estas invasões são coisas do corruPTo contra o Problema Social Do Brasil? Não se engane, caro expectador, o movimento estudantil não é mais independente, ele é vendido, é pelego. A UNE baba os ovos dos bandidos políticos. Tá todo mundo encurralado. Nos somos grandes imbecis. Acho que nós estamos gostando dessas novelas mexicanas que passam na tv câmara e na tv senado - um “idiota” de um advogado defendendo uma mulher-sanguessuga e o presidente do senado querendo dá uma de senhor intocável. O que é que o povo brasileiro tem haver com a pensão alimentícia da Mônica Veloso? Por que não vão resolver isso numa vara de família? Tirem logo estes presidentes. Expulsem o lula a socos, expulsem o Renan a pedradas e dêem um chute bem no meio do cu do Arlindo. Só vai se for assim. Chega de sermos violentados pela corrupção, pela falta de vergonha na cara.
“No mais, estou indo embora...” ah, tenham um bom dia, senhores habitantes da fábrica de bonecos do mal.

sábado, 16 de junho de 2007

subir?



"afinal de contas
o que nos trouxe até aqui, medo ou coragem?
talvez nenhum dos dois."
(h. gessinger)

Quem sabe a hora de nascer? Parece que tudo se resume a textos inúteis. Quem sabe se na melancolia de filme podemos encontrar uma alegria... É isso, verdadeiramente, quem sabe? Na estrada de um dia chuvoso é o título. As letras são as lágrimas. As palavras são as dores de cabeça e as frases os desencantos (quem é o vinho?) Talvez isso resuma bem o que é um blog. Talvez! É a infeliz arte de se dizer um talvez. Sabe, a avenida treze de maio é pequena para a multidão de assuntos que estar na pauta dos três amigos. Enquanto eles conversam, uma série de coisas acontece - os carros passam em alta velocidade, uma garota bate o carro, um motoqueiro foge covardemente do local do acidente, outros ignoram o fato e continuam passando sem ajudar a garota que bateu o seu carro - Enfim, a vida continua durante a conversa. A conversa é a vida. E a vida surge no coração dos amigos que se reúnem para reanimar um amigo. Tudo isso não passa na tv, pois não dar audiência. O verdadeiro amor não dar lucro para a tv. Aliás, o verdadeiro amor não interessa aos programas de televisão. Quem sabe a hora de nascer? Sim, nascer e subir a montanha, encontrar um lugar que se possa olha tudo de fora. Não se misturar. Refletir se vale mesmo à pena utilizar o mesmo meio que o inimigo usa. É ser superior em grandeza de espírito, é ser superior em desprezo, como diz o Nietzsche. Quem sabe a hora de subir a montanha? Não precisam ser exatamente quarenta dias, mas tempo que acharmos mais correto. O tempo necessário para mudarmos a percepção...

quarta-feira, 13 de junho de 2007




as doces meninas de outrora
amanheceram
vestiram os vestidos novos
pintaram as unhas de vermelho
por um instante resplandeceram
depois baixaram as cabecinhas louras
e envelheceram como as flores

''As doces meninas de outrora'' - h. dídimo

terça-feira, 12 de junho de 2007

noite do dia 12 de junho.

O shopping center não é o melhor local pra se ir no dia dos namorados (pelo menos quando se estar solteiro). Cansei de ver casais. Aliás, a palavra cansaço me parece até muito leve. Foi assim o dia 12 de junho. Pra ser sincero, eu nem me tocava que era o dia dos namorados. o problema é que quando saí do estágio não estava a fim de ir pra casa, aí decidi ir ao shopping. Procurei um filme bom, daqueles de faz mudar a percepção, não encontrei. Daí decidi assistir a um desses que estão em cartaz – piratas do caribe ou homem aranha -, resultado, desisti na hora, é muito chato ver esses filmes de ficção, são clichês demais, além do mais eu sempre saio do cinema uma merda. Fiquei perambulando pelas “ruas” do shopping, uma perambulação só pra ver se pensava em algo inusitado, só pra cumprir a grande lição do mestre Nietzsche, ou seja, sempre desconfiar das idéias que se tem quando se estar sentado. Rodei, rodei e rodei, nada mais. Ah! Lanchei. No final, acabei indo pra casa. Decidi ir andando, só pra seguir a lição de outro mestre, Henry D. Thoreua. Andei até em casa. Naveguei pelas ruas ao som de Nirvana – “in bloom”. Em casa, pus o acústico do lobão pra tocar, chorei de saudade de alguma coisa, talvez da minha infância... talvez não...

domingo, 10 de junho de 2007


Ela foi embora
mas as palavras que ela disse ficaram
e conversaram muito tempo ainda.


H. Dídimo

na estrada de um dia chuvoso

Acabo de descobrir que em mim há um grande vazio. Hoje, a crise parece mais brutal. Crise, crise existencial. Acabo de descobrir que, se eu for o que penso que realmente penso, não sou eu que devo dizer que sou. É, tenho mesmo um vazio dentro de mim. Todavia, antes que os fanáticos de plantão digam que eu preciso da religião cristã, eu vos digo: a religião também não me preenche. Tudo bem que as palavras de cristo são belas, no entanto, assim como as palavras do grande Sidarta Gautama, as palavras de cristo me privam da liberdade. A igreja cristã só faz burrice. Ela é hipócrita e imoral.

Ah! Antes que os amantes do idiota do Augusto Curi venham me amolar, eu também vos digo: eu não estou mais a fim de sonhar! (talvez seja a hora de dizer as quatro palavrinhas do Olavo de Carvalho)

Talvez só eu saiba o porquê dessa minha infelicidade, o porquê do meu niilismo. No entanto, poucas são as pessoas que me compreendem. Entretanto, há muitas pessoas que adoram dizer que eu estou indo pela porta errada. Que se danem as portas!!!

A grandeza que falta em minha vida pode me salvar. Ela sim me conduzirá. Sim, preciso de um amor infinito – tipo aqueles do Roberto Carlos. Literalmente um amor. Uma pessoa que não tenha medo ou vergonha de receber o meu amor. Um amor que compreenda, um coração sincero. Um amor que me escute...

Às vezes, a solidão é ruim. Não ter mãe é muito ruim. Eu também acho que não tenho pai. Enfim, não tenho ombro pra chorar. Só uma pedra pra descansar a cabeça. Mãe, pai e uma garota, se um dia conseguir novamente tais pérolas acho que viverei melhor, talvez volte a dormir tranqüilo.

Estou com muita saudade do tempo perfeito. Do tempo em que flecheiras era minha única casa. Saudades do tempo que conheci Isabella. Saudades de quando o tempo não passava. Saudades do tempo em que o mar era meu melhor amigo, do tempo em que o sol sempre prometia voltar. É, parece que tudo se resume a palavra saudade...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

COMO O AMIGO AMA O AMIGO.


como o amigo ama o amigo,

assim te amo, vida surpreendente!

quer me alegre ou chore contigo,

quer me proporciones alegrias ou sofrimentos,

amo-te com tua felicidade e tua dor,

e se tens de me aniquilar,

ao te deixar eu sofrerei.

como o amigo que se arranca aos braços do amigo,

te apertarei com toda a minha força:

se já não tens felicidade a dar-me,

dá-me tua dor.



lou andreas salomé para f. w. nietzsche.



3 poemas e uma filosofia...

Quem é aquele?...
Aquele que te olha com outros olhos
Que te canta com outras palavras

Flor, me diz que é aquele...
Sim, aquele que te diz outros segredos...
Que te guarda no amor
Que te busca incansavelmente...

Quem é aquele?


*
* *

naquele dia,
o vento me falou de você

mas eu não entendi...

só agora
ao te ver
posso dizer que o vento tinha razão.


*
* *


Ontem à noite
Você foi o dia

À tarde
Você me tirou do passado.

Ontem,
Nem à noite, nem à tarde...
Perdi a noção do tempo
E encontrei
(porque te amo)
Novamente o amor.



*
* *



Razão
Pão
Coração
ão
Paixão
Vão
Grão


De onde viemos?
Para onde vamos?

terça-feira, 29 de maio de 2007

dadaísmo II




O que é o prêmio Nobel comparado à grandeza do universo? E o que é a vida? Seria ela a história de um casal apaixonado? Seria a vida o dinheiro? Seria vida uma missão? Um jogo – perde e ganhar são os únicos dilemas? Por que estamos ficando cegos? Daqui a pouco, nos colocarão numa casa para estudar a nossa cegueira... Parece que ficamos tão alheios as questões políticas, filosóficas, etc que os nossos olhos cegaram, e o estado (a ficção que tudo pode) vem e nos tranca numa casa cercado por soldado mercenários.

E se alguém ousar sair da casa?...

Talvez a arte de viver esteja relacionada as tais questões. Estamos escolhendo sempre. A verdade e a mentira querem nos enlouquecer. Verdade: o bem, o claro, o perfeito, o bonito, o rico, o certo, o azul, a direita, etc. mentira: o mal, o escuro, o defeituoso, o feio, o pobre, o errado, o vermelho, a esquerda... E o onde está o amor? A alegria? A euforia de uma calourada feita pela cooperação que há entre os estudantes do curso de letras?

E o que é vida?...

Será a lágrima que escorre pelo rosto de uma garota rejeitada?

Se a tv resume a vida, desligue-a!

“Estou me dando bem no cangaço, e não pretendo abandoná-lo. Não sei se vou passar a vida toda nele. Preciso trabalhar ainda uns três anos. Tenho que visitar alguns amigos, o que não fiz por falta de oportunidade. Depois, talvez me torne um comerciante”.

Lampião.

terça-feira, 22 de maio de 2007


(o amor, m. júnior)

1

Meu sonho é simples - conquistar minha liberdade. Conquistar a única coisa que me falta. Ser livre. Livre no sentido mais livre da palavra. Ser totalmente livre da famosa vida segura. Ser livre até de planos futuros. É isso! Ser livre. Um ser livre de tudo que o afasta da liberdade. Ser livre pra andar sem objetivo. Ser livre até pra optar pela escravidão. Uma liberdade que me faça entender a importância da liberdade. Uma liberdade livre de dogmas, livre de céu e de inferno. Uma liberdade mais bela, mais pura... Sincera...

sábado, 19 de maio de 2007

"... nós espíritos livres, já somos uma "transavaliação de todos os valores", uma declaração de guerra e de vitória personificada contra todas as velhas noções de "verdadeiro" e de "falso"".

[O Anticristo, § 13 - F. Nietzsche]

dadaísmo





"And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?".


"Wish you were here"
Roger Waters e David Gilmour (Pink Floyd)


Enquanto pensava sobre a crítica nietzschiana sobre o “espírito de rebanho”, percebi que eu também não sou diferente. Aliás, quando desejo ser aquilo que não queria, acabo sendo o oposto do que pensava ser. Ser indiferente? Ou lutar, fazer alguma coisa? há lógica no mundo? Não sei... A dúvida me purifica aos poucos. Ontem, vi “Perfume – A história de um assassino”, a história de um garoto que buscava o aroma perfeito e acabou o encontrado. E o que isso tem haver com “Wish you were here”? Sei lá... Talvez seja a prática do dadaísmo na sua fase mais cômica. Tenho quase certeza de que eu só preciso de um pouco de vergonha na cara. Será? Seria bom pra continuar assim? Mas como mudar se nem sempre a mudança é benéfica? Pois bem, talvez seja melhor ser um Zaratustra frustrado. A beleza do vento balançando as folhas de uma árvore é estragada pela fumaça de um carro (mais dadaísmo)


Seria bom ser aquilo que gostaríamos de ser, não ser produto de uma sociedade hipócrita, não ser um órfão maldito. Seria bom saber quem é quem no movimento estudantil, porque a minha cabeça só serve pra duas coisas: separar as orelhas e ter dores de cabeça. Seria muito bom... Mas como não se é, não se pode mais ser... o que é isso? Não sei... Adeus e até logo!


domingo, 13 de maio de 2007

até o domingo tem cara de domingo.

terça-feira, 8 de maio de 2007

a melhor forma de desprezar o mundo.

acho que é aquela história: hoje eu sou um narador observador. cansei de fazer parte da guerra. agora eu só fico em cima de um monte vendo as coisas acontecerem, vendo tudo de fora, saindo do meio para melhor entender, vendo e escrevendo o que vejo.

o homem deve observar do alto o seu próprio fanatismo. não se trata de permissão, mas de compreensão, compreensão seria a melhor palavra. você precisa entender o mundo em que se vive, e a pespectiva teológica não te ajuda a entender, porque nela vc só deve acreditar e pronto!... é preciso ir além das páginas de um livro... é preciso está além! é preciso pensar por si mesmo, é preciso quebrar os vínculos, perder o medo - contestar o que muitos temem contestar, porque "o resto é só a humanindade."

quinta-feira, 3 de maio de 2007

libertação individual (parte final do trab. de met. científica) - conclusão!

trilha sonora: 8ª sinfonia de beethoven.



Henry David Thoreau (1817-1862)², filósofo estado-unidense, em sua obra esplêndida obra A desobediência civil, louva implacavelmente a idéia de que sempre o individual prevalecerá num possível conflito com o coletivo. Sua vida foi marcada por constantes conflitos com o estado, chegando até ser levado à prisão por não pagar alguns impostos, pois recusava-se a contribuir para uma causa injusta, ou seja, o avanço americano para as terras do México. Depois de analisa a conjuntura do seu país, Thoreua (1849) conclui que o individuo é a base de tudo, e é para o indivíduo que deve existir o estado, e não o estado para o indivíduo, como hoje podemos claramente encontrar. Vale ressaltar a importância que há nesta avaliação, porque aqui não se pode confundir individualismo com egoísmo. O individualismo é a soberania individual, diferente do egoísmo que é a soberania da ganância e da soberba.
(...)
Outro caminho considerável seria o caminho mais belo de todos, ou seja, o crescimento partindo dos próprios indivíduos. Um estado, ou melhor, um não-estado onde os indivíduos fossem realmente senhores de si, onde a supremacia individual estaria acima do coletivo. Um não-estado formado por indivíduos que reconquistaram a soberania que o atual estado usurpou. Uma república composta por homens e mulheres livres que desobedecem as leis draconianas de um estado injusto e estável. Uma república formada por indivíduos capazes de contestar toda autoridade injusta. Indivíduos incapazes de tirar o que é dos outros.
Atualmente, a democracia não funciona. Sim, ela não funciona por que é regime de maioria. É o regime de uma maioria alienada. É como diz Oscar Wilde³ no seu livro a Alma do Homem sob o Socialismo:

“A democracia, por sua vez, despertava grandes esperanças; mas descobriu-se que ela significa simplesmente o esmagamento do povo, pelo povo e para o povo”. (WILDE, 1891, p. 38).


Enfim, pode-se confirmar que não há outro caminho senão pela educação, porque dentre as três soluções aqui analisadas – a individual, a cooperação e a educacional -, somente consegue-se chegar as duas primeiras por meio da última, ou seja, sem educação não se pode ter uma solução. Enfim, num regime onde todos os indivíduos fossem detentores do conhecimento, uma civilização preponderantemente individual e não egoísta, mas evoluída pelo poder das descobertas científicas. Pelo poder da soberania individual!

“Quarta-feira última, chegando à secretaria, deram-me um convite para assistir à saída da esquadra de bordo de um navio do Lloyd. Fui, depois de hesitar muito.

Fui a bordo ver a esquadra partir. Multidão. Contato pleno com meninas aristocráticas. Na prancha, ao embarcar, a ninguém pediam convite; mas a mim pediram. Aborreci-me. Encontrei Juca Floresta. Fiquei tomando cerveja na barca e saltei.

É triste não ser branco”.


Lima Barreto - "diário íntimo-fragmentos"

terça-feira, 1 de maio de 2007

(A)


1º de maio - dia do trabalho

segunda-feira, 30 de abril de 2007

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"...E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas".

domingo, 29 de abril de 2007

[E. Münch - Desespero]


“Estou com vinte e sete anos, tendo feito uma porção de bobagens, sem saber positivamente nada; ignorando se tenho qualidades naturais, escrevendo em explosões; sem dinheiro, sem família, carregado de dificuldades e responsabilidades”.


Lima Barreto - diário íntimo (fragmentos)