sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Leões e Cordeiros.

Aparentemente, para a maioria que estava na sala de cinema, causou impacto. Tom Cruise, helicópteros, estratégias militares, estudantes na academia. O povo aplaudiu o começo, contudo, o desenrolar da trama, para o povo, não foi tão fascinante. Tudo que o povo gosta, já dizia Oscar Wilde, não presta.

A discrepância entre se pregar a guerra e ir a ela. A coragem de defender o que se pensa, ainda que signifique motivo de zombaria. Fôlego que se tem pela Ação, mesmo quando esta parece ser tão perigo e voraz. Não! A guerra não é um jogo de computador. As estratégias não valem apenas pontos, mas, indiscutivelmente, valem vidas... milhares de vidas.

Quando se tem uma ideologia, basta se ter uma situação bem complicada para saber se você a tem por convicção ou por pura vaidade.

Na América, ou melhor, na América do norte, o dilema foi lançado:

Se eu sou afro-americano, um ser sempre desprezível para a hostil sociedade, por que deveria eu defender uma nação que só me agride? O patriotismo é superior as minhas convicções? Por quê? Por que devo ser corajoso a ponto de entregar a minha vida por uma nação? Por acaso eles ligam pra mim?

Eu sou branco. Nascido na América. Freqüentador da congregação batista tradicional. Aos sábados, vou aos bares. Bebo. Divirto-me. Sei que a única preocupação que tenho é a minha nota na cadeira mais chata da faculdade (geopolítica). Vou me formar. Vou casar. Terei dois filhos e continuarei a freqüentar a congregação batista tradicional, sem esquecer, é claro, de ir aos bares, desta vez com minha mulher e meus filhos. Se tudo sair como planejo, irei ao Brasil no carnaval.

Sou latino. Moro na América ilegalmente, porém, brevemente terei minha cidadania americana concedida, pois casei com uma afro-americana. No momento, Estou sem emprego. Mas, aos sábados, descarrego caminhões para ganhar alguns trocados, todavia, brevemente, irei alistar-me nas forças armadas...

Sou jornalista. Hoje, fui pressionada por um senado estúpido para fazer uma matéria sobre a nova estratégia americana no Afeganistão. Tudo que ele (o senador) falou ia de encontro ao que penso, uma vez que sou democrata. Estou num dilema – escrever ou sair do emprego - a primeira opção é mais viável. Estou cheia de contas pra pagar, por isso, provavelmente, escreverei o artigo para o governo.

Sou um professor. Sim, um professor. Americano. Combatente aguerrido no Vietnã. Nem democrata, nem tão pouco republicano. Sou um ser pensante. Neste poucos dias aqui na terra, vivo perdido, procurando respostas para as minhas perguntas. No verão passado, prometi a mim mesmo que não ia mais lecionar, contudo, as imbecilidades dos jovens fazem com que eu me sinta ainda mais inteligente. Todos os dias, vejo o noticiário. Ao meio-dia, leio o The New York Times, entretanto, não mais me irrita, porque é a mesma coisa sempre. E assim são os meus dias aqui na terra. Um bom café é o comunheiro ideal para as temidas noites frias.



Sala de cinema novamente iluminada... Um grande silêncio...

...

Derrepente, uma garota que estava atrás da minha poltrona diz que detestou o filme. já o seu namorado não faz nenhum juízo. Creio eu que sua intenção ao ir ao cinema não era ver o filme, mas... Deixa para lá.


Ao sair, Lembro-me novamente da frase de Wilde.

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