sexta-feira, 27 de julho de 2007
viver amelie... alguém entende?
terça-feira, 24 de julho de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
na janela do ônibus
Enquanto olha os gira-sois do fórum, pensei em dois barcos sem direção que saem à noite. Ontem, sai sem direção à procura do silêncio, mas acabei encontrando uma sala de cinema. Uma sala cujo filme era a continuação de um outro filme – quarteto fantástico e o surfista prateado. Um bom filme, pra não ser tão cruel. Muitos efeitos, pouco de conteúdo. Um filme básico, desses que só podemos assistir nos cinemas.
***
Mas o filme não foi a filosofia da noite, pois os filmes só são filmes, e a vida é cada vez mais real. “Viver para negar a vida”, já me disseram que esta é a base do niilismo. Tudo bem, talvez seja mesmo, mas o niilismo não significa nada quando o “último romance” começa a tocar. A música mais perfeita. A suavidade da guitarra acompanhada dos metais, isso é mesmo Amarantemente caótico. O amor, a idade, o tempo, a velhice... a vida, a morte e a promessa de ir junto quando o tempo levar a amada, não há nada mais delirante do que isso.
***
O homem absurdo às vezes pensa que sua vida não tem mais nada, contudo, a vida o surpreende, e ele fica feliz. As surpresas da vida são desconfiáveis aos olhos do homem absurdo, porque tudo passa tão depressa que ele tem medo. Os olhos do homem absurdo se perdem meio a imensidão das pétalas dos gira-sois, ai ele segue em frente. destino: ponto do ônibus.
***
terça-feira, 10 de julho de 2007
marie

"À noite, Marie veio buscar-me e perguntou se eu queria casar com ela. Disse que tanto fazia, mas que, se ela queria, poderíamos nos casar. Quis, então, saber se eu a amava. Respondi, como aliás já respondera uma vez, que isso nada queria dizer, mas que não a amava.
— Nesse caso, por que casar-se comigo? — perguntou ela.
Expliquei que isso não tinha importância alguma e que, se ela o desejava, nos poderíamos casar. Era ela, aliás, quem o perguntava, e eu me contentava em dizer que sim. Observou, então, que o casamento era uma coisa séria.
— Não — respondi.
Ela se calou durante alguns instantes, olhando-me em silêncio. Depois, falou. Queria simplesmente saber se, partindo de outra mulher, com a qual tivesse o mesmo relacionamento, eu teria aceitado a mesma proposta.
— Naturalmente — respondi.
Perguntou então a si própria se me amava, mas eu, eu nada podia saber sobre isso. Depois de outro instante de silêncio, murmurou que eu era uma pessoa estranha, que me amava certamente por isso mesmo, mas que talvez, um dia, pelos mesmos motivos eu a decepcionaria. Como ficasse calado, nada tendo a acrescentar, tomou-me do braço sorrindo, e declarou que queria casar comigo. Respondi que sim, desde que ela quisesse".
A estrada e a vida: uma corrente de vento sem direção.
Ontem à noite, não sonhei com castelos, e também não sonhei com princesas. Não tinha nada deste mundo seguro. O sonho não era sonho, era caos, era um deserto idealizado Morrison. A poesia existia no sonho, porque a poesia existe em todos os lugares, ainda que os lugares estejam nos sonhos também. Tenho quase certeza de que a poesia é atemporal.
Quem no mundo dos loucos é são? Sumir? Mas pra onde ir? Não sei e nem talvez, pois o talvez tornou-se um clichê. E daí? Que se danem os clichês!
Novamente não sonhei com castelos, tão pouco com princesas. No mundo da existência não existe tais fantasias, não há simbolismo romântico. Ontem à noite, antes do sonho, bebi, desrespeitei as ordens, fui novamente ao limite da minha enxaqueca, fantasiei minha perigosa sina. Naquele dia, vi novamente as esquinas que eu passei e fui além do bem e do mal. Não conversei mais sobre nada interessante, falei asneira durante a noite toda. Não tive tempo, mas escrevi uma poesia aparentemente tosca...
Tempo sem estrela
Noite na correria
Luar sem relva, sem nada...
Só luar
Sol sem água
Sol e dadaísmo...
Verão gelado
Overdose de lógica
Aforismos que esperam o trem
Guerra sem arte
E
Sem desertores abandonados
É a sutil efemeridade do passageiro
Do transitório
Uma discrepância no paraíso cultural
O último vento no deserto.
No final, tudo transborda, assim como o rio e o cálice de vinho. Tudo é passageiro, “passageiro de algum trem”. E as coisas não têm lógica, a visão não é a mesma. Nem a sombra, nem o sorriso. Agora a lágrima escorre sem pedi perdão. Não temos mais problemas familiares porque os problemas familiares já são problemas na sua ordem mais aleatória, e não significam nada quando são comparados com a mais simples melodia. Do que adianta prometer a si mesmo? De nada adiante... Agora estou amarantemente caótico... Porque agora tanto faz...

