terça-feira, 10 de julho de 2007

A estrada e a vida: uma corrente de vento sem direção.



Ontem à noite, não sonhei com castelos, e também não sonhei com princesas. Não tinha nada deste mundo seguro. O sonho não era sonho, era caos, era um deserto idealizado Morrison. A poesia existia no sonho, porque a poesia existe em todos os lugares, ainda que os lugares estejam nos sonhos também. Tenho quase certeza de que a poesia é atemporal.
Quem no mundo dos loucos é são? Sumir? Mas pra onde ir? Não sei e nem talvez, pois o talvez tornou-se um clichê. E daí? Que se danem os clichês!
Novamente não sonhei com castelos, tão pouco com princesas. No mundo da existência não existe tais fantasias, não há simbolismo romântico. Ontem à noite, antes do sonho, bebi, desrespeitei as ordens, fui novamente ao limite da minha enxaqueca, fantasiei minha perigosa sina. Naquele dia, vi novamente as esquinas que eu passei e fui além do bem e do mal. Não conversei mais sobre nada interessante, falei asneira durante a noite toda. Não tive tempo, mas escrevi uma poesia aparentemente tosca...

Tempo sem estrela
Noite na correria
Luar sem relva, sem nada...
Só luar

Sol sem água
Sol e dadaísmo...
Verão gelado
Overdose de lógica
Aforismos que esperam o trem

Guerra sem arte
E
Sem desertores abandonados
É a sutil efemeridade do passageiro
Do transitório
Uma discrepância no paraíso cultural
O último vento no deserto.

No final, tudo transborda, assim como o rio e o cálice de vinho. Tudo é passageiro, “passageiro de algum trem”. E as coisas não têm lógica, a visão não é a mesma. Nem a sombra, nem o sorriso. Agora a lágrima escorre sem pedi perdão. Não temos mais problemas familiares porque os problemas familiares já são problemas na sua ordem mais aleatória, e não significam nada quando são comparados com a mais simples melodia. Do que adianta prometer a si mesmo? De nada adiante... Agora estou amarantemente caótico... Porque agora tanto faz...

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