quarta-feira, 7 de março de 2007

"quando o tempo acordou"

[...] As estrelas se foram. Ficaram a insônia, o medo e a solidão. Já não faço juízo do poder da poesia, porque na noite passada, quase não volto do meu mundo surreal. Pela minha boca entrava o doce vinho e saia o som, o som da bela poesia lida. A garrafa de vinho sobre a mesa, um livro de Álvares de Azevedo nas mãos, tudo parecia perfeito. À medida que eu ia lendo sentia uma dor que comprimia o meu coração. Tive vontade de chorar mais uma vez. Não sabia o que estava acontecendo, como podia entristecer-me na noite de Natal? Afinal todos celebravam o nascimento do salvador, as famílias jubilavam ao som das canções natalinas, a igreja dava as boas-vindas aos fiéis, a cidade repousava na santa paz de Deus e eu criava versos surreais capazes de me levar ao infinito dos pensamentos.

[...]


As poesias foram surgindo uma a uma. Sobre temas diferentes, sobre lugares diferentes, entretanto, sobre a mesma garota("tudo lembrava ela"). Ela estava em todos os lugares, passeávamos juntos contornando o grande planeta azul que estava a nossa frente, fomos realmente muito além do que imaginávamos. Tudo parecia perfeito, contudo, tudo o que é bom dura pouco, por isso, agora estou aqui totalmente obsoleto lendo um dos versos da noite anterior. Aqui estou novamente na vida real.

2 comentários:

Unknown disse...

A poesia é uma das expressões de sentimento... e o ritmo das palavras envolve o compasso da paixão, da eloquencia retraída...

Mas poesia não foi feita para todo mundo, ela sempre é especificada para alguem ou para alguma coisa...

O poeta é o sábio e o sujeito...
o homem e o sentimento...
o ser e o seu Deus (objeto da poesia)...
É o diferenciador das próprias palavras... pois utiliza das palavras que sempre são ditas, mas q nunca foram ouvidas...

Manoel Júnior disse...

acho que você sabe pra quem são minhas poesias...

"O vento vai dizer
lento o que virá..."