quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Desabafo de um Homem Moderno - Parte II

O despertador toca, são 8:00 da manhã. Na cabeça recordações de uma noite mal dormida. Já não mais agradece a Deus por está vivo, porém reflete um pouco sobre tudo que já fez. Senta-se a mesa do café. Levanta-se rapidamente, pois não quer perder tempo com um simples café da manhã. Liga para a secretária avisando que ouve um imprevisto e que irá chegar atrasado – é tudo mentira. Lê as mensagens do celular que não lera outrora. Pelo retrovisor do carro penteia os cabelos. Tudo é rápido. Ele se sente cansado, mas não quer desistir, pois a desistência é para os fracos.

Entra no carro, lê o jornal enquanto o semáforo está fechado. Sobe o vidro quando um mendigo aproxima-se. No rádio toca uma canção que o faz lembrar a época da faculdade. Regozija-se, pois ele é um vencedor, conseguiu entrar no famoso mercado de trabalho. Não gosta da palavra capitalista, prefere ser chamado de executivo. Pensa nos amigos, pensa nas farras e nas tolas preocupações, mas detesta pensar nos momento em que realmente foi feliz. Chega ao escritório, e como sempre, sente-se mais infeliz, porque o que ele realmente almejava era ser um humanista, enfim, ele era um utópico idealista.

Entra na sala, não repara mais os detalhes da vida, pois nem se quer percebeu que sua secretária pintou o cabelo. Virou um neo-troglodita, um tecnocrata. A única coisa que ainda lhe dar sucesso são as medíocres imbecilidades do mundo jurídico.

Seu celular toca, é um cliente importante (Cliente importante é sinônimo de grande negócio). No mundo capitalista vale quem tem mais, e amigos são os que sabem fazer bons negócios. Vai até a janela, entretanto, sente-se um tolo, pois acha que não deve perder tempo olhando para uma paisagem qualquer. Mais uma vez o seu superego venceu...

Passam cinco minutos, ele ainda não conseguiu sair da frente da simples janela, será que enlouqueceu? Talvez. Lá de cima ele vê um taxista lendo um jornal, vê um cara cabisbaixo fumando um cigarro, vê uma mulher com um suéter cor de rosa. Reflete um pouco sobre a felicidade e chega ao seguinte juízo: “aquelas pessoas são felizes porque verdadeiramente encontraram o real sentido da vida” – mas por que ele também não encontrara este sentido vital? Será que teve medo de ser feliz, haja vista que decidiu ficar calado e aceitar as condições impostas pelo mercado?

Passou aquela tarde pensando na vida. Tentou achar um meio de mudar toda aquela paranóia. Buscou uma nova realidade...

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