terça-feira, 8 de janeiro de 2008

SOBRE A MONTANHA

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Mas esta cólera sinistra não é a única coisa que fulmina o meu coração. A religião, que neste caso tem sinônimo de uma simbologia que decreta morte a vida, a falsidade e a idiotice vão além de toda cólera possível e não obstante o ser ainda entrega-se a tais armas malignas. “O único cristão”, segundo Nietzsche, “Morreu na cruz”, então, por que continuar nesta burrice? Nietzsche estava certo, aliás, está certo. Os charlatões andam por ai mascando um chiclete cujo sabor é o da ignorância humana. Somos uns bestas com medo da alegórica besta, este ser que, a cada saída do sol, parece ser mais feroz e mais brutal.

Tolices, asneiras, espiritualidades medíocres: verdades? Pra que entregar-se a isso? Por acaso não é muito melhor viver sem precisar guerrear, sem precisar afasta-se do comum, do “eu aqui”. A única espiritualidade a ser exercida é a da montanha. Na montanha, contempla-se a hostilidade humana e vê-se de fora a imundície. Vê-se quão boas são as obras do acaso e como é forte o braço do guerreiro mais desarmado.

Brincar com lixo ao invés de ‘letargia-se’ em sua barraca? Não, pra mim não serve. E, embora eu venha a dropar a mesma onda dos tolos, não me misturo a eles. É simples. Fácil. Irritante. Mas o poder do desprezo e a força da negação misturam-se numa sincronia perfeita, no desejo mais simples e sob a proteção do “eu-não-espiritual”.


Por fim, resta-nos apenas aturar a embriagues estúpida destes desabrigados e, sem hesitar, torcer para que, num espaço de tempo muito curto, o verdadeiro Emanuel possa dissolver realmente este parlamento mortífero, esta casa onde os verdadeiros escarnecedores, ímpios e pecadores esbanjam congratulações soberbas e fantasmagóricas a troco de fama, riqueza e tesouros infrutíferos.

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