segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

SOBRE A MONTANHA

“Se não há um homem novo, como roupas novas poderiam ajusta-se a ele?”
Henry D. Thoreau (Walden, ou a vida nos bosques)



§2

O silêncio calava o local. A TV ligada era a única coisa verdadeiramente desprezada. Lá fora, chuva. No coração, raiva. Nos olhos, lágrimas. A alma solitária vagueia pelo campo morto. Para muitos, ela não passa de um ser sem estética e sem forma, contudo, honestidade e verdade não poderiam vir de outro lugar, senão dela.

Impressão, Aparência, Bajulação, Desonestidade, Barulho, Inveja, Intolerância - de tudo isso ela fugia. Aparentemente perdida, mas verdadeiramente livre. Livre no sentido mais romântico da palavra. Uma liberdade pura e cativante, dessas que nem os filmes de Bertolucci podem passar. Na verdade, uma liberdade sem mácula, sem impurezas. Enfim, até a volta da já perdida crença, seu destino fora dado à estrada. Andar, andar e andar, sem remorso e sem cansaço, cantarolando ou em silêncio, pronta pra explodir de uma vez ou pouco a pouco.

Ainda não se sabe do paradeiro da independência, pois falou-se muito em ódio, mas, num pequeno espaço, reservou o pouco que sobrou do antigo amor.

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