segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

NOITE DE Nº 3.010

Enquanto ela me olhava
Eu fumava o meu último cigarro

O vinho não mais era a atração basilar
Mas, sim, aquele seu vestido negro que ao seu corpo permanecia fixado.

Olhares
Veleidades
Insinuações
Discursos e poesias
Defesa e ataque.

Duas bocas em silêncio
Dois espíritos aquietando-se pelo desejo
E, num leito que nem lençóis havia,
Começamos um ritual hipoteticamente amordaçado.


Fogo.
Por um minuto não houve diálogo,
Só uma simultaneidade aperfeiçoada
Onde um prontamente imaginava o imediato movimento do outro.

Dissimulamos um pouco,
Porém você rezingou da névoa do cigarro,
Enquanto eu apalpava os seus seios que mais pareciam duas maçãs italianas.

A música emanava de dentro para fora, Porém, às vezes, advinha o contrário.
Nós nos aliviamos a noite toda,
Éramos similares a dois homicidas cruéis.

Por fim,
Bailamos e apreciamos a nobreza daquele cerimonial dionisíaco.

O sossego veio rápido.
Logo, restaram os sussurros e os olhares.

Uma noite
Duas existências
Um espectro entorpecido
Uma diva embriagada
E, antes que o sol nos deixasse,
Repousamos lentamente.


Desde aquele dia,
Nunca mais a vi.

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